A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos litteratos,
E apuro-me em lançar originaes e exactos,
Os meus alexandrinos…
E a tisica? Fechada, e com o ferro acceso!
Ignora que a asphyxia a combustão das brazas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Mantem-se a chá e pão! Antes de entrar na cova.
Esvae-se; e todavia, á tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
D'uma opereta nova!
Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e n'outros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?
Nas lettras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a réclame, a intriga, o annuncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras…
E estou melhor; passou-me a colera. E a visinha?
A pobre engommadeira ir-se-ha deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia…
Que mundo! Coitadinha!
A DEBIL
Eu, que sou feio, solido, leal,
A ti, que és bella, fragil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
N'uma existencia honesta, de crystal.
Sentado á mesa d'um café devasso,
Ao avistar-te, ha pouco, fraca e loura,
N'esta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de offerecer-te o braço.
E, quando soccorreste um miseravel,
Eu, que bebia calices d'absintho,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudavel.