Quereis que a planta vos dê flores e fructos, se as raizes não acharem alimento no solo?

Quereis effeitos sem causas?

Quereis que as causas não produzam seus necessarios effeitos?

Effeitos em virtude dos quaes é raro que um governo viva entre nós menos da propria força do que na debilidade alheia.

Continuae, portanto, a desprezar o desenvolvimento das forças moraes do paiz e deplorae depois que o governo seja ámanhã uma simples questão de densidade relativa, em virtude da qual as camadas mais leves do talento ou da aptidão, da honestidade ou do patriotismo, subam á superfície da governação do estado, alagando em mil desgraças o paiz, que terá de soffrer as consequencias do facto, sem se poder até queixar d'ellas com razão, porque as deverá á sua propria imprevidencia, senão á sua propria cumplicidade!

O que é finalmente impossível é que o governo em Portugal ande arrendado a trimestres, e que se resolvam as crises por conferencias que nada resolvem, e as conferencias por crises que ainda resolvem menos.

Circulo vicioso em que se pode gastar a vida a percorrer centenas de leguas sem que se pize mais do que um palmo de chão!

VI

É ponto axiomatico que da instabilidade das situações resulta naturalmente a falta de confiança publica.

Quando se não sabe qual será o dia de ámanhã, o sentimento da duvida, assaltando os espiritos, suspende n'elles esse quid mysterioso, em que se fundam os actos do raciocinio e da vontade.