Se hoje vos queixaes de que os vossos fundos, os vossos predios, as vossas fabricas, os vossos armazens padecem com o estado do paiz, o que seria se desabasse tudo n'uma ruina geral?

E geral teria ella de ser.

Fallido o thesouro, é natural que essa fallencia arrastasse a grandes difficuldades a maioria dos estabelecimentos de credito. Dado isto, a ramificação do desastre chegaria á mais solitaria cabana e ao mais obscuro balcão.

Tanto no espelho dourado dos salões da opulencia, como no barro vidrado da baixella do pobre, se reflectiria algum gesto de tristeza ou de angustia.

O luxo retirar-se-hia diante da parcimonia. A parcimonia diante do constrangimento. O constrangimento diante da fome.

Porque, não vos illudaes, o paiz vive em grande parte á sombra do estado.

Morto este pela fome, a fome de uma parte do paiz sairia directamente d'essa ligação apertadissima.

De que vive geralmente o funccionario publico, quer elle se chame empregado, professor ou militar?

De que vivem os portadores de milhares e milhares de contos de réis em titulos de divida fundada espalhados no paiz?

A repercussão d'essa desgraça chegaria immediatamente a todos, porque é em grande parte o estado quem vos paga o juro de vossos capitaes, a renda de vossos predios, os artefactos de vossas officinas e os artigos de vosso commercio.