110 Esta operaçaõ consiste em remediar a maõ os defeitos, que se lhe percebem; se ha barro pegado em huma parte, se tira com huma faca de páo muito estreita que se molha; se as bordas de algum vaso se inclinaraõ para alguma parte, indireitaõ-se; se na barriga se fez alguma cova, passa-se a maõ por dentro do vaso para o endireitar fazendo vir para fóra; se as boccas, que devem ser redondas, apparecem ovaes, se indireitaõ apertando-as entre as maõs. Algumas vezes he preciso cortar por baixo os vasos para ficarem com o assento mais firme; isto se faz pondo a bocca do vaso sobre a mesa, e o fundo para cima; depois se tira o barro com hum instrumento de ferro Y, fig. 1, [Est. II], que tem córte. Daõ-se de differentes formas huns saõ, direitos, outros curvos, chamaõ-se tournassin.

111 Sobre a mesa tambem he, que se põe os pés, os cabos, e azas nas peças, que os devem ter.

112 Todas estas cousas saõ peças relativas que se soldaõ nos lugares, em que se devem pôr, tendo-se feito á maõ sobre huma mesa. O modo de soldar os cabos, as azas, e os pés he o mesmo; porém devem haver certas precauções por se naõ despegarem estas peças. Alguns exemplos bastaraõ para se perceber esta pequena manobra.

113 Tomo por exemplo huma marmita; fórma-se no torno a barriga, o gargallo e a borda, e deixando-se sobre as ripas este corpo de marmita, se põe sobre a mesa para o aperfeiçoar, e ajuntar-lhe as azas. Os oleiros se portaõ nisto de dous modos differentes: huns formaõ a aza sobre a mesa; daõ-lhe o contorno, que lhe convem; depois para apegar ao corpo da marmita, raspaõ hum pouco os dous lugares, onde se deve pegar a aza ao corpo da marmita; esfregaõ estes lugares com hum bocado de barro novo, soldaõ a aza apertando-a fortemente com o dedo pollegar contra o corpo da marmita, ou do fogareiro, etc. Outros, depois de ter raspado o corpo da marmita, põe sobre o mesmo lugar hum pedaço de barro novo, que trabalhaõ á maõ para o fazer tomar a figura de aza; e depois de o terem preparado raspaõ o lugar aonde ella deve chegar, e pondo hum pouco de barro novo, e apertando bem com os dedos a aza se pega de modo, que naõ despega mais. Este methodo se tem por mais sólido, do que o precedente.

114 As orelhas aa, dos potes [Est. I], fig. 12 se soldaõ do mesmo modo, que as azas das marmitas.

115 Em geral para que duas peças se ajuntem bem, he preciso que os dous barros estejaõ no mesmo gráo de seccura; naõ sendo assim, huma peça encolheria mais do que outra, e se despegaria, ou quebraria. Com tudo se o corpo da marmita seccasse muito se tornaria a humedecer no lugar, em que se quizesse soldar, pondo-lhe por cima hum panno molhado, que dentro em huma noite humedece quanto basta.

116 O corpo dos potes de tres pés fig. 15, [Est. II], se faz no torno, depois se trazem para ahi os pés, e azas, como disse da marmita, e para se soldarem se poem na mesa com a bocca para baixo; e testo C, naõ deve ter borda com encaixe.

117 O corpo dos escalfadores fig. 13, [Est. I], se faz ao torno; fórma-se a barriga a, redonda, depois aperta-se o barro para formar a parte cylindrica b, fortifica-se o bordo com hum rôlo ou anel de barro, faz-se-lhe hum pequeno bico, e quando estaõ já alguma cousa duros; levaõ-se para a mesa de aperfeiçoar para se acabarem, e pôr-lhe a aza C, como se disse da marmita.

118 O corpo b. das cassarolas, etc. [Est. I], fig. 14, se faz no torno, ha oleiros que fazem no mesmo torno o cabo, outros o fazem á maõ sobre huma taboa. Todos o soldaõ a cassarola, como já se explicou.

119 Os cabos que se fazem no torno saõ muito mais proprios, do que os feitos á maõ sobre a taboa; porém bom he explicar como se faz no torno hum tubo ôco pelo qual apenas se póde introduzir hum dedo. Começa-se por baixo, com sufficiente largura, para formar o tubo entre o pollegar, e os outros dedos. Este tubo tem pouca altura, e deve ser grosso, porque será preciso estendello no comprimento; para isto comprimindo brandamente o tubo entre as maõs, se estende, levantando as maõs, e elle diminue de grossura á proporçaõ que se estende em comprimento; acaba-se fazendo-lhe huma pequena orla na borda c. Em fim se despega da rodella; e depois de ter comprimido hum pouco a ponta, que ha-de pegar no corpo da cassarola, como as azas dos fogareiros etc.