Dos ensaios litterarios que ultimamente tenho dado a lume, foi Lupe o que suscitou mais vivas e contradictorias apreciações.
Criticos houve, tão exaggeradamente benevolos, que de primorosa qualificaram a singela narrativa, chegando ao extremo de emparelhal-a com Cinco Minutos de José de Alencar e Graziella de Lamartine.
Outros, em compensação, a acoimaram de romancete fraco e ephemero, onde a acção se arrasta enfadonhamente, com defeitos notaveis de forma e escandalosos erros de observação.
E, conforme os habitos da terra, depois de malsinar o livro, atiraram-se desapiedados contra o autor, chamando-lhe vaidoso, ignorante, humilhador da patria lingua e quejandas amenidades.
Em consciencia, reputo-me autorisado a repetir os versos da tragedia raciniana:
.... Je n’ai mérité
Ni cet excès d’honneur, ni cette indignité!
Lupe não passa de modesto episodio de viagem, despreoccupadamente contado, sem pretenção de especie alguma.
Achei prazer em escrevel-o, e, simplesmente por isso, o escrevi.
Publiquei-o com a inoffensiva esperança de transmittir a outros uma parte d’esse prazer.