O berço de Lupe
XI

Acapulco. Semi-circular a bahia, alastrada de ilhotas de pedra. Casas abarracadas de modesta apparencia bordam as praias razas. Morros graniticos, em amphitheatro, no fundo, erriçados de mesquinha vegetação.

Estreitos navios de cabotagem ancorados aqui e ali. Calor abafadiço. Silencio de inactividade e de tedio embebendo o ambiente. Ar de pobreza e de atrazo nas canôas que se acercam do Colima.

N’um dos rochedos que emergem das agoas, no centro da enseada e em face da povoação, acocoram-se alguns homens, totalmente nús. Escondem o rosto, quando passa por perto d’elles uma canôa; e a gente d’esta prorompe então em assobios e surriadas.

São vagabundos e ebrios da cidade,—soubemol-o logo,—que a autoridade local condemna áquelle original castigo: permanecerem despidos, durante horas, no pelourinho oceanico, expostos á irrisão dos bateleiros. Ai do que tentasse fugir, nadando! Pagaria carissimo a sua rebeldia contra o systhema penal acapulcano.

Entraramos ao amanhecer e esperavamos a visita aduaneira e a hygienica para ir á terra.

Muito pallida Lupe, mas affectando jovialidade. Ennumerava, com abundancia de gestos, aos circumstantes os edificios de Acapulco.

—Eis acolá a cathedral, mais adiante o mercado, e, do lado opposto, o castello de San Diego, celebre na quadra colonial.