Se a invectiva se refere a nós declaramos terminantemente que a nossa hydrophobia se declarou no meio do alarido das victimas que nós vimos cahir á acção do punhal e do trabuco dos assassinos revolucionados n'essa terra da promissão, e dos quaes nos livrámos, por mercê de Deus, sem desamparar nunca o nosso posto da honra.

Se a invectiva se refere a outros, por exemplo, ao auctor das Farpas, a unica publicação poupada pelo auctor do livro que analysamos, e a unica que mais tem rediculisado o imperio e as suas cousas, para que é que foi pedir ao auctor do folheto uma carta de recommendação para o seu livro?

II

A stulticia de quererem defender os excessos dos pasquins brazilheiros e cumparal-os com os de cá não é só do auctor do livro o Brazil. Já a Tribuna do Pará e outros jornaes brazileiros, desculpavam os seus injustos desforços d'uma fórma um pouco comica. O sr. Augusto de Carvalho não fez mais do que seguir-lhes as pisadas. Assim falla a Tribuna do Pará:

«Não sabendo, não tendo mesmo com que dessimular o seu embaraço, despeito e confusão, enxergou na expressão—VIL PEDRO PRIMEIRO—(a Tribuna chamava-lhe assim por ser portuguez!) com a qual acoudindo a uma justa represalia, fulminámos a Tribuna de Lisboa,—um attentado contra a familia imperial, entretanto que não tem visto os insultos affrontosos, que todos os dias recebe o povo brazileiro na pessoa de D. Pedro II.

«O que disestes a Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz, sobre as Farpas, etc.?»

É preciso que a verdade seja dita sem rebuço: as Farpas, é a publicação portugueza, que mais feriu os brios da nacionalidade brazileira, na pessoa do seu imperador; verdade seja que os que mais se queixavam, escreviam vil Pedro primeiro ao pae do segundo imperador, e o que é sobre tudo mais irrisorio, os imperialistas do segundo e os calumninadores do primeiro intitulavam-se republicanos!...

Mas republicanos ou imperialistas condemnaram a critica mordaz do auctor das Farpas: nós os ouvimos; rindo-nos do desgosto ridiculo de tal combáda que não se lembrava de certos papeis comicos representados em Coimbra, perante a universidade, e no Porto, em face dos esplendorosos festejos promovidos por seus hospitaleiros habitantes, a sua magestade o imperador.

E são por ventura isoladas as ironias innosentissimas dos criticos europeus, na passagem de sua magestade imperial pelos differentes estados da Europa?

Não. Nem os desgostos manifestados pelos brazileiros, nem as conveniencias puramente mercantis, tem actualmente podido influir no animo d'aquelles que veem em todos os movimentos do illustre imperador uns motivos para rir. E não somos só nós que assim pensamos; e para o que vejamos: