«Pedimos ao sr. Furman que não se esqueça de phothographar essa raridade, pois todas as vezes que vem á terra faz a população morrer de riso.

«Os janotas de pince-nez la del buque com effeito nada arranjarão aqui, porque já são mortos Villarés e Chicos Ruivos... restando apenas o Caleijão.[[59]]

«Consta-nos mais que a guarnição tem-se agradado tanto da terra, que toda ella quer desertar para aqui reforçar o trafico das carroças e pipas d'agua» etc.

Isto e muito mais foi publicado no n.º 259 da Tribuna, já referido; mas esta ultima parte dos insultos á guarnição da corveta, e especialmente aos janotas de pince-nez, os segundos tenentes da armada real, Carlos Krusse e Marques Costa, deu aso aos novos tumultos do dia 21 que ainda a moderação mais evangelica não poderia evitar.

Carlos Krusse, explica assim as novas occorrencias, em uma carta enviada do Pará á Democracia de Lisboa com a data de 28 de novembro de 1874:

«Sr. redactor.—Depois de commigo se haver dado um caso, que os jornaes da localidade occultam, e que o papel Tribuna procura deturpar, não ficarei silencioso á partida de noticias para ahi. Devo aos portuguezes a narração verdadeira do facto commigo dado. Para os da nossa colonia do Pará é trabalho inutil expôr o que todos elles sabem. Para Portugal são precisas algumas palavras.

«Li um artigo que, com a epigraphe Projectos de baile em honra del buque Sagres, vem publicado no jornal a Tribuna de 17 de novembro do corrente, e vendo o periodo—Os janotas de pince-nez—procurei no escriptorio da redacção um tal homem, ou cousa que o valha, que se responsabilisa pela folha.

«Mandou-me entrar esta repugnante creatura, e depois de lhe pedir com a maior prudencia o ultimo numero do jornal que publicou (o que me queria offerecer, e que, não acceitando, paguei por 800 réis) mostrei-lhe o artigo que ambiguamente me podia dizer respeito.

«Leu, e ao terminar, pedi-lhe me declarasse se era de mim que tratava, para lhe exigir prompta satisfação. Declarou-me terminantemente por duas vezes, (tantas por mim exigidas) defronte dos seus empregados, que nada comigo tinha relação, e que mesmo a palavra mestre, no artigo empregada, se não referia a official algum da corveta, mas sim a alguem da prôa.

«Agora este ente repugnante, vergonha da classe militar (ex-capitão paraguayo) e dos homens de bem, quer, em seus covardes escriptos, mascarar de prudencia o que n'elle foi falta de coragem, para sustentar o que havia escripto e desafrontar-se, quando pouco depois de eu ter entrado na redacção, justifiquei a minha tardança em ali ir, na falta de leitura d'um papel, que lhe disse ter «por unico programma a calumnia e a infamia, contra um povo, contra uma nação de que supponho não conhece a posição geographica».