«Não ha consideração alguma que me inhiba de manifestar-me com a isenção d'espirito e com a franqueza a que tem direito os mais caros interesses desta abençoada terra em que tive o berço, e de suas relações com uma nação amiga, da qual descendem os brazileiros, e com a qual se acham estreitamente ligados pelos laços mais estimaveis.

«Os augustos chefes das duas nações são parentes mui proximos. Portugal exercita com o Brazil avultado commercio; envia-nos os seus productos em troca dos nossos. A mesma religião, a mesma lingua; os mesmos costumes. Porque hesitar diante da propaganda que nos faz passar como um povo que vae perdendo a civilisação e ensaia actos barbarescos? Não vejo rasão.

«A Constituição convida-me a declinar os nomes dos seus redactores que cultivam relações pessoaes e exercem influencia sobre o proprietario da Tribuna. Para que esse convite?

«A Constituição, de certo, não quererá que eu me constitua delator. Nunca o conseguirá. Deve ella ter consciencia de que eu estou de posse de muitos de seus segredos, e deve fazer-me a justiça de crêr-me incapaz de fazer publico uso d'aquillo que outr'ora me foi informado. Negar é um impossivel, que alguns de seus actuaes redactores fizeram publicar na Tribuna escriptos seus. Alludo apenas a esta circumstancia, porque não ha quem a ignore.


«Não é em um artigo escripto ao correr da pena, que o deverei fazer.

«Não tenho embaraço algum a pronunciar-me clara, sincera e positivamente, não só contra a propaganda da Tribuna, mas ainda e sobretudo contra a linguagem de que tem sido victimas muitos dos subditos de S. M. Fidelissima, que são honrados negociantes e ricos proprietarios n'esta capital; propaganda e linguagem que teem mareado o bello conceito que já gosavamos, nós os paraenses, na Europa e nos Estados-Unidos.

«Eu que caminho para o ultimo quartel da vida, que não estou atado ao orçamento da provincia, que nada pretendo d'ella, que tenho procurado servir ao paiz com o zelo e capacidade, que Deus me concede, lastimo do fundo do coração, que ainda haja paraense que não queira reconhecer o immenso mal moral, economico e politico, que será aggravado de dia em dia, causado á provincia pelas doutrinas erroneas, e linguagem condemnaveis do obscurantismo, do inimigo da paz e socego das familias, e do progresso desta estrella, cujo brilho se procura embaciar! Lamento isto do fundo d'alma.

«Meus sinceros parabens á Constituição pela lisongeira e expontanea defeza que a Tribuna lhe faz em seu ultimo numero.

«Não leve ella (a Constituição) a mal que eu lhe diga: quem póde o mais, póde o menos.