Os emproados collegas da politica militante conservaram-se mudos e indifferentes.
E toda a gente achou massador o Diario de Noticias!
Ditosa condição, ditosa gente.
Como agora toda a gente acha impertinente o sr. Pércheiro.
Que, diga-se a verdade, o sr. Pércheiro tem umas certas culpas.
Se é impertinente ou não, importa-me pouco.
O que eu queria, era que sr. disciplinasse melhor pelo estudo detido, pela serena observação da realidade contemporanea, pela modesta revisão dos elementos de critica e de sciencia que o assumpto exige, as suas aptidões e a sua propaganda.
O sr. Pércheiro é todo paixão. Não se domina; não tempera a tensão violenta e absorvente a que os seus sentimentos certamente generosos, em revolta contra as miserias e vergonhas do dia, lhe arrastam a intelligencia e a palavra.
Esta invasão das faculdades reflexivas pelo tumulto das paixões, ou pela excitação absorvente do sentimento da propria personalidade, perde muitas intelligencias e muitas propagandas boas. Quem propaga, lucta, e quem lucta precisa não dar aos adversarios o flanco do amor proprio para que elles o irritem e desnorteem.
Para tudo é preciso n'esta vida uma pouca de diplomacia.