Os homens talentosos do Brazil, á similhança do que se faz nos paizes cansados, estudam apenas o incomprehensivel problema da politica e parece quererem contemporisar com o movimento jesuitico.

A par d'isto retraem-se os capitaes, os colonos portuguezes, no norte do imperio, repatriam-se. A falta de braços, faz-se sentir. A lavoura definha-se; por que além da falta de braços, os terrenos limitrophes das povoações estão explorados e os governos não tomam a iniciativa de abrir tunneis, permitta-se-nos a phrase, n'essas immensas montanhas de matta virgem, cujos troncos seculares com sua immensa folhagem nos não deixam ver tão grande manancial de riquesas. As estradas que existem para o interior dos sertões são apenas os carreirinhos do indio, da onça, do veado, da paca e do tatù.

No valle do Amazonas vive-se da industria extractiva. A agricultura foi despresada. Mas a industria extractiva vae morrer, por que os governos não desimpedem as immensas vias de communicação—os rios—que cortam em todas as direcções aquelles immensos territorios, tambem cobertos de plantas.

Que se faz para attrair o estrangeiro? Que pensam os homens eminentes do Brazil?

Nada vemos. E contudo, o mais simples observador nota que o grande imperio está passando por uma crise assustadora.

Suggeriu-nos estas phrases, ao lermos o livro Questões do Pará, cuja leitura recommendamos, a idéa do engrandecimento do imperio do Brazil.

(26 de junho)


JORNAL DE LISBOA

É notavel este livro pela questão importantissima de que se occupa, e pelos esclarecimentos que presta, fundados em documentos, e nas palavras do auctor testemunha presenceal dos factos.