Senhores homens da Tribuna: expulsae os portuguezes, como á colonia hebrêa faziam os reis catholicos de Hespanha. Confiscae-lhes mesmo as riquesas; chamae a vós as suas propriedades; roubae-lhes o commercio que elles souberam elevar e desenvolver, que assim tereis condignamente satisfeito ao fim da missão jornalistica de assalariados vendilhões.

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Os portuguezes residentes no Pará estão sujeitos ao afiado da faca assassina. São seguidos na sombra e mortos cobardemente nas encruzilhadas.

É crime ser commerciante; o trabalho é um delicto. Assim o entendem os tribunos.

Ganhar honradamente o pão de cada dia, é uma atrocidade; a industria é uma infamia; o homem que trabalha é um gallego.

E, oh supremo desaforo! se os portuguezes se reunem em associação, os tribunos só comprehendem as sociedades de bandidos!

As portas dos nossos compatriotas são marcadas com signaes, para que o punhal possa entrar sem receio de errar o golpe.

A justiça verga-se; é egual para os naturaes, a quem absolve os crimes: esmagadora, despotica e tyrannica para com o portuguez que commetteu a menor transgressão á lei.

No seio das familias ensinam-se as creanças a odiar os filhos de Portugal. As imaginações infantis apresentam-se quadros horrorosos, em que se incute esse odio, em que elle se perpetúa sempre, e cada vez produzindo mais funestas consequencias e terriveis episodios.

O lar é escola de malquerenças; e em vez de ensinarem aos filhos a veneração e o amor pelos portuguezes, que lhes conquistaram a liberdade e a civilisação que estão gosando, educam-nos nos principios repellentes da inveja e do despreso.