VI
Uma patranha genealógica
«...Julgo-me obrigado a advertil-o que publiquei um documento no Archivo histórico, suficiente para destruir a petarola inventada pelos genealogistas dos Falcões descenderem do tal Falconet. Catorze anos antes deste chegar a Portugal já existiam Falcões, proprietarios em Evora, e vassalos de D. Fernando (Arch. hist. III, 407.) É uma minucia que não influe em nada no seu têma; mas, repito, entendo dever meu avisál-o».
VII
O criptónimo «Fileno»
«Delfim Guimarães, no seu livro recentemente publicado, e que faz honra á erudição portuguesa, com o titulo Bernardim Ribeiro, e o sub titulo O poeta Crisfal, aventa a idea de que o criptónimo Fileno seja o disfarce do adjectivo felino, latim felinus, procedente do substantivo felis, «gato», por alusão ao apelido Gato, do marido de Joana Tavares, sua apaixonada.
«Não se pode aceitar esta origem do dito nome, porque tal adjectivo não existia em português ao tempo do poeta. É êle modernissimo na lingua, pois nem Bluteau o incluiu no seu Vocabulario portuguez e latino, nem mesmo no próprio Diccionario portuguez de Morais e Silva figura tal adjectivo atè á 3.ª edição, feita no anno de 1823, «correcta e acrescentada.» Vê-se pois que a introdução do vocabulo felino é não só posterior, e muito, ao século XV, mas até aos começos do XIX, e que o poeta o desconhecia portanto.
«Assim, pois, o nome Fileno, masculino, foi talvez fabricado conforme o femenino Filene, que os gregos usaram, e cujo radical será o de Filipe, por exemplo.»
VIII
In terminis
Amadora, 16 de março de 1909.
APRECIAÇÕES DA IMPRENSA
ao livro
"Bernardim Ribeiro
(O POETA CRISFAL)"
«Bernardim Ribeiro»
(O Poeta Crisfal)
(Do jornal O Mundo, de 16 de Novembro de 1909)