«Vamos agora á sua pergunta de hoje originada pela carta do dr. Teofilo Braga. Elle não conhece nada do meu trabalho sobre a Maria Brandoa, e faça-me a justiça de crer que, não lho tendo mostrado a si, não o mostraria a mais ninguem. Não lho mostrei a si, porque nas 150 paginas já impressas, de que em breve lhe mandarei um exemplar, nada digo a respeito de Maria Brandoa: trato dos Brandões do Cancioneiro e da Feitoria de Flandres.»

5

«Isto nos impossibilitava de continuar a admittir as relações pessoaes de Cristovam Falcão com Bernardim Ribeiro já velho e dementado em confidencias de amor com um rapaz no viço da mocidade; e por tanto as Eclogas em que elle figurava interpretativamente tinham de ser lidas a outra luz. V. acabando de fazer a destrinça entre o Poeta e seu primo mais antigo, deu-me elementos para uma melhor interpretação das Eclogas de Bernardim, (eliminadas as relações com Cristovam Falcão), e mostrando como realmente as poesias d'aquelle, como mestre, influiram no mais moço, que como novel chega a fazer centões e intercalações de versos de Bernardim Ribeiro.»

Carta do snr. dr. Th. Braga.

6

«Ha uma affirmativa histórica, de Diogo do Couto, na sua Decada VIII, que fallando de Damião de Sousa Falcão, accrescenta como reforço historico: «irmão de Cristovam Falcão, aquelle que fez aquellas cantigas nomeadas de Crisfal...» E tambem no seculo XVI Fructuoso (resumido pelo P.e Antonio Cordeiro na Historia insulana) diz de Cristovam Falcão: «parente do Barão velho e do famoso poeta Cristovam Falcão, que fez a celebre Ecloga Crisfal das primeiras syllabas do seu nome...» Tambem nas edições de Ferrara e Colonia, feitas por curiosos sem criterio litterario, se repete a attribuição «que dizem ser de Cristovam Falcão, ho que parece alludir o nome da mesma Ecloga». Não se podem refutar por negativa estes testemunhos de homens de letras do seculo XVI, e que se reflectiram nos genealogistas.»

Carta do snr. dr. Th. Braga.

7

«A ecloga de Crisfal não podia ser publicada pelo seu autor, nem pelo seu consentimento porque era uma inconfidencia de antigas relações amorosas com uma senhora que estava casada.»

Carta do snr. dr. Th. Braga.