Dizem alguns francezes não ser o ambar-gris outra coisa mais do que a «flor do mar,» a que os selvagens chamam Paranampoture, ou uma certa gomma do mar, Paranamussuk.

Decida o leitor como lhe aprouver.

N’estas areias encontra-se o ambar-gris em massa, mais n’um tempo do que n’outro, e algumas vezes chega a massa a tal tamanho e grossura, que merece ser guardada n’algum gabinete real, não podendo ser justamente apreçada e vendida. Acontece as vezes virem poisar sobre ellas todos os bixos, passaros, carangueijos, lagartos, e outros reptis d’ahi, das circumvisinhanças, e do mar, e com elles as vêem procurando-as com cuidado, e por isso são essas grandes massas partidas em varios pedaços.

Aconselhei a elles, que ahi fizessem um Forte não só para impedirem as correrias dos Tremembés, como para tapar a entrada aos navios, que buscam a Ilha de Sant’Anna afim de colherem o ambar-gris; não ha duvida, que o mar atira muitas vezes sobre estas areias o ambar, que por ahi espalhado é comido por animaes, passaros e reptis, pois os selvagens da Ilha ahi vão apenas duas ou tres vezes durante o anno.

Tenho certesa, que a colheita do ambar chegaria para pagar as despezas do Forte, da sua guarnição, e do mais que fosse necessario.

Os nossos selvagens e francezes depois de muitas indagações por varios lugares somente acharam os corpos mortos dos seos, as choupanas, e vestigios de inimigos, e assim regressaram á Ilha mais famintos do que feridos.


CAPITULO XXXV

Da chegada dos Cabellos-compridos á Tapuitapera e da viagem ao Uarpy.