A caça dos jacarés lhes é util e agradavel: são pequenos crocodillos com 8 ou 10 pés de comprimento, de pelle dura, ventre molle, sem lingua, com olhos vivos, sempre alerta e maus: accommettem o homem, cortam e devoram o primeiro membro que agarram.
Escondem-se em grotas, á margem dos rios, e sempre de emboscada, nadam como peixes, arrastam-se ligeira e brandamente, abrem a bocca, e como que intentam assustar-vos si vos encontram: põem ovos iguaes aos de galinha, porem cobertos de protuberancias, como as castanhas; dizem que são bons para comer, mas eu não affianço porque nunca os provei, pois sempre tive muito horror á estes bixos.
Chocam seos ovos, e d’elles sahem jacarésinhos, gordos, grandes e compridos, como os lagartos que vemos pelo estio correr nos muros.
É para admirar, que de tão pequeno bixo origine-se tão grande animal, e que apenas sahido da casca do ovo começa a andar e arrastar-se!
Sua carne cheira a almiscar, é doce e desagradavel: os selvagens porem não fazem caso d’isto, apreciam-na muito quando a encontram, e por isso empregam-se muito em caçal-os.
O logar Piry, humido e cheio de limo, tem muitos jacarés, que são perseguidos pelos selvagens por meio de flechas, atiradas com direcção á garganta ou á barriga, e depois acabam-nos com uma barra de ferro, escamam-nos, e cortam-nos em pedaços, que assam.
Si são pequenos, cozinham-nos com escamas, e assim preparados acham-nos muito bons e até delicados, porque assados com sua gordura, dizem elles, nada perdem de sua substancia.
Achei melhor crer do que experimentar, embora tivesse muitas occasiões de o fazer, visto que recebi muitos presentes d’elles quando voltaram os selvagens do Piry.
A recordação somente d’estes animaes me fazia nauseas até o coração, á vista d’esses pedaços.
Diziam os francezes, que o comeram, ser similhante a carne fresca de porco, um pouco mais adocicada, oleosa, e com o cheiro de almiscar.