Tem a cauda muito comprida, e de ordinario dobrada em dedalus, diminuindo gradualmente até a ponta.

Raras vezes se vê o macho com a femea, e por isso não me atrevo a contar o modo de sua procreação, porque não pude vel-a, e nem imaginal-a. Contento-me apenas em referir o que vi.

É muito demorado no seo andar, está sempre ao sol, deitado sobre folhas ou ramos, e por isso se pensa que vive só de orvalho.

Batem-lhe as ilhargas constantemente, e muito mais quando receiam alguma coisa, sendo isto motivado pela sua timidez natural, proveniente de muito humor frio, pelo qual torna-se venenoso quando é comido por algum animal.

Nunca se encontra nas arvores fructiferas, prevenção da naturesa para não envenenar com o seo frio excessivo o fructo que tocasse, e por isso é visto nos ramos de arvores, que somente servem para o fogo.

Como o lagarto tem quatro pés, e muda de côr conforme o movimento do corpo, e os batimentos das ilhargas.

São raros em Maranhão, e somente são encontrados em lugares bem expostos ao meio-dia: deitam-se nas folhas, estendem as quatro patas, e descançam a cabeça. Não fazem movimento algum com os olhos, quando estão vendo, e nem abaixam as palpebras superiores: constantemente bate-lhe o papo.

Dizem, que se este animal fosse lançado ao fogo difficilmente arderia, porem envenenaria pela fumaça as pessoas presentes.

Não fiz esta experiencia com o camaleão, e sim com outro animal mui similhante a elle pela friesa.