Temos alem d’isto a certesa de ter se recolhido o Padre Ivo d’Evreux ao modesto Convento de sua terra natal: em 1620 estava elle em Santo Eloy,[AQ] e suppomos ter escolhido esta residencia por ser proxima ao Convento de Andelys.
N’estas ferteis campinas, onde se despertou o genio de Poussin, ainda o nosso bom Missionario teve descanço bastante para admirar os risos da natureza e a frescura das paisagens.
É possivel que em outra occasião tivesse elle oportunidade para conservar-nos suas minuciosas observações, que hoje talvez o fizessem distincto naturalista, mas depois da emoção impressa em seo pensamento pela magestosa solidão das florestas seculares do Brasil, somente se deixou captivar pelas calorosas discussões da theologia.
Um livro ainda difficil de ser obtido (a cada momento topamos com raridades tão difficeis de serem alcançadas como a Viagem) nos prova, que no seo retiro não poude resistir ao espirito do seculo.
Não tendo mais indios a converter se pôz a discutir com protestantes, e coisa estranha, foi um dos seos compatriotas, personagem muito estimado pelos seos correligionarios, a quem elle atacou ou talvez a quem respondeu somente.
Ignoramos o titulo do primeiro opusculo, que elle arremessou ao seu adversario, porem um sabio bibliographo da Normandia, o Sr. Frére, nos deo o segundo, para nós uma especie de revelação.
É este o titulo do folheto «Supplemento necessario ao escripto que o Capuchinho Ivo fez imprimir relativamente as conferencias entre elle e João Maximiliano Delangle.» Ruão, David Jeuffroy. 1618 em 8.º[AR]
Este escripto, attribuido pelo douto bibliographo ao nosso missionario, bem puderia não ser devido á sua propria penna, porem prova o apparecimento de outra obra mais desenvolvida, e a existencia de serias discussões oraes entre elle e os dissidentes. Mais agradaveis sem duvida lhe foram sinceras discussões, que havia pouco tempo teve com Japi-Açu na Ilha do Maranhão, onde as continuas predicas feitas no Forte de S. Luiz, em presença de grande assembleia de indios, somente eram interrompidas pela severa polidez, que lhes prescrevia escutar o orador em quanto quizessem que elle fallasse, circumstancia, diga-se de passagem, que bem poderia em algumas occasiões enganar um zeloso missionario sobre o exito de seos esforços.
Ivo d’Evreux então achava-se a braços com um dos homens mais firmes e mais estimados entre os protestantes, e o escripto do Religioso foi denunciado ao parlamento.
João Maximiliano de Baux, senhor de Langle, era um ministro, joven, ardente, natural de Evreux como o Padre Ivo, morador em Quevilly, pequena Cidade de 1:500 a 1:600 habitantes á pequena distancia de Ruão.[AS]