Primeiramente elle disse—In nomine meo dæmonia ejicient: «em meo nome elles expellirão os demonios.»

Em dois annos que estive em Maranhão, vi isto cumprido por diversas formas, por que os diabos fizeram apparecer realmente o medo e o temor que tinham do nome de Deos, procurando por todos os meios embaraçar nossa missão, já persuadindo seos feiticeiros, mais fieis, a ordenar as nações sobre que tinham poder, de não se aproximarem de nós, já infundindo-lhes terror com o signal da Cruz e excitando-os a arrancar os que existiam, dando maus exemplos com ridicularisar o que sanctamente ensinavamos a estes barbaros, intimidando por muitas vezes os habitantes de Maranhão, Tapuitapéra, Commã, Caetés, Pará e Mearim e fazendo-os fugir para os matos e logares desconhecidos com receio de serem presos e captivados pelos francezes ou pelos portuguezes.

Finalmente mostrou-se tudo de forma diversa, porque quando julgavamos tudo perdido, foi quando Deos mostrou o poder do seo nome, conservando não só estes selvagens junto de nós, mas tambem fazendo com que despresassem seos feiticeiros e o poder do diabo, fazendo fugir Jeropary, com o nome de Deos, e a ablução de Jesus Christo.

Vou mostrar bons exemplos.

Lembrar-vos-heis do que acima vos disse tanto dos feiticeiros dos campos do Mearim e das habitações de Thion, como da maneira porque os diabos manifestavam o temor, que tinham das cruzes, que plantavamos em nome de Jesus Christo, e de nós seos fieis servos: quando alguns de seos Principaes me diziam, que estes feiticeiros não quiseram vir com elles, eu lhes perguntava a razão, e elles me respondiam—porque Jeropary tem medo de Tupan.

Acaiuy, principal do Mearim, de quem fallaremos mais de espaço, veio me pedir licença para fazer sua casa ao pé da minha, não querendo ficar com os outros no Forte, dizendo-me entre outras rasões que tinha para isto, ser porque Jeropary não se atrevia a aproximar-se do logar, em que habitavamos visto termos vindo expressamente para repellil-o.

Pedro Cão, selvagem baptisado em Dieppe havia muitos annos, dizia a mim e aos Srs. de la Ravardiere, de Pezieux, e a outros quando o interrogavamos á respeito de sua felicidade na guerra, que Deos sempre o livrára de mil perigos porque era christão, e fazia fugir o diabo apenas chegava n’uma aldeia, e que seos similhantes mostravam-se animados, quando em companhia d’elle, não temendo Jeropary.

O mesmo pensavam os habitantes de Tapuytapéra á respeito dos novos christãos, julgando que elles perseguiam e faziam fugir Jeropary, mostrando-se contentes por isto quando tinham esses christãos em suas aldeias.

Servindo-nos d’estas crenças embutiamos no espirito dos cathecumenos como ponto de fé, que logo que elles fossem lavados, adquiririam poder contra o diabo, e nunca mais deviam temel-o.

Corre voz geral em todas estas terras, que os diabos são espiritos maus, que temem os Pays e os Caraybas, isto é, os padres e todos os que são baptisados.