Mui livremente vos dizem sim e não, o tempo, o lugar, a qualidade das pessoas, o numero de seos peccados, sem algum vexame tolo e mau como por ahi se observa.
Não tem a menor hesitação em crer na efficacia do baptismo, que é o lavamento dos peccados, a filiação de Deos, e a acquisição do Ceo, tendo como certo que os baptisados vão para o paraiso gozar da companhia de Deos, com tanto que não caiam outra vez em peccado mortal.
Acreditaram sempre, que havia inferno, onde estava Jeropary, e para onde iam os maus.
Sabiam ao mesmo tempo por tradicção, que Deos era muito feliz lá em cima, vivendo com os espiritos bons, e que seos paes que tinham tido boa vida, iam para um lugar de delicias, onde nada lhes faltava embora terrestre.
A vista d’isto facil nos foi fazel-os entender o que deviam crer do paraiso, do inferno e de um terceiro lugar, onde se purificam as almas antes de irem para o Ceo, de um quarto onde os meninos, que não chegaram a receber o baptismo, morrendo antes do uso da razão, eram recebidos para não padecerem por nunca poderem vêr a Deos, visto ser o baptismo a chave do Ceo.
Não se acreditaria, senão vendo-se, quanto são os selvagens curiosos por saberem das coisas de Deos. Todos, quando com elles conversavamos, nos faziam mil perguntas á este respeito, iguaes á estas:
Como Deos fez o Mundo?
Si o fez com suas proprias mãos, ou si ajudado pelos bons espiritos poude fazer o Ceo, as estrellas, o sol, a lua, o fogo, o ar, a agoa, a terra, os primeiros homens, os primeiros passaros, peixes e animaes, reptis, arvores e hervas?
O que existia antes de feito o mundo, e o que fazia Deos vivendo sosinho?