«Vejo-me embaraçado quando penso nas diversas nações, que existem no Mundo.

«Vejo os francezes ricos, valentes, inventando navios para passarem o mar, canoas, e polvora para matar os homens insensivelmente, bem vestidos e nutridos, temidos e respeitados.

«Ao contrario nós vivemos errantes e vagabundos, sem roupas, machados, fouces, facas e outras ferramentas.

«De que procede isto?

«Nascem ao mesmo tempo dois meninos, um francez, e outro Tupinambá, ambos doentes e fracos, e não obstante um nasce para gozar de todas as commodidades e o outro para viver pobremente.

«Livres nascemos, um não tem mais do que outro, e comtudo uns são escravos, e outros Muruuicháues

Eis o terceiro ponto de discussão:

—Não posso tranquilisar o meo espirito quando penso, que vós outros francezes tendes mais conhecimento de Deos do que nós. Porque temos vivido tanto tempo na ignorancia? Dizei-nos, que foi Deos quem vos enviou, e para que não o fez antes? Nossos paes não se teriam perdido, como succedeo. Os padres são homens como nós, e porque elles fallam a Deos, e nós não?—

Respondi-lhe a tudo isto, dizendo «ser muito pequeno nosso espirito para conceber coisas tão altas, reservadas por Deos só para si. Basta saber que elle fez tudo, ama e dá o necessario a todos.»