O rapaz recitou-me a doutrina, que seo pae julgava bastante para receber o baptismo, e o fez d’esta maneira: bom dia, senhor, como estaes: Bem, senhor, prompto ao vosso serviço, quereis comer, sim: pão, peixe, carne, minha cabeça, eo chapeo, meo gibão, meo borzeguim, minha camisa[BF]

Não pude ouvir mais com receio de arrebentar de riso.

Disse-lhe ser bastante, que só por isto eu fazia ideia d’elle não ter perdido seo tempo.

O bom homem pressuroso interrompeo-me dizendo ter ainda que dizer-me.

Levantou-se do seo logar, tomou todos os utencilios do meo quarto, e mostrando-me um apoz outro disse-me, que elle de tudo sabia o nome em francez.

Aproximando-se de minha mesa, e agarrando-a com duas mãos, dizia—elle ainda sabe o nome d’isto em francez.

Dirigio-se a seu filho, e perguntou-lhe se era verdade o que dizia. Sim, respondeo-lhe o moço, e ainda mais, pois chamaria pelo nome tal e tal francez, bem como tambem sabia a denominação das armas: Um arcabuz, que faz puf, uma espada, um canhão, que faz pataú.

Mas, disse-lhe o pae, bem depressa saberás o resto?

Sim.

Muito bem, replicou o pae, não deixes de vir todos os dias recitar tua lição diante do padre.