Responderam os Padres, que assim procediam, não por que reprovassem o casamento, quando conforme ás leis de Deos, visto que até elles o louvavam, mas como Deos havia outhorgado graças mui particulares a elles, e não aos outros homens, porque o serviam com mais perfeição, podiam passar sem mulheres por meio dessas graças.

Ouvindo esta pobre gente taes palavras ficaram admirados e como que fóra de si, contemplando a santidade destes Prophetas, e d’ahi em diante os veneraram mais, julgando-se felizes quando lhes entregavam seos filhos para serem educados em nossa santa fé, e afinal baptisados.

Tudo isto se poderá vêr na seguinte carta, escripta por esses Padres á um honrado mercador de Ruão chamado Fermanet, um dos seos maiores bemfeitores, para que se veja que nada acrescentamos, e que apenas narramos os factos pura e simplesmente colhidos n’essas cartas e em informações de pessoas fidedignas, testemunhas occulares, e por que n’ella se encontram particularidades não mencionados nos outros.

Eil-a:

Carta escripta pelos Padres Capuchinhos ao Sr. Fermanet.

A paz do Senhor Deos esteja comvosco.

Depois de tantas recommendações, que nos fizestes quando partimos para vos escrever, seriamos culpados si não vos dessemos noticias de paiz tão bom, graças á Deos.

Depois de 4 a 5 mezes de viagem ahi chegamos felizmente, sendo bem recebidos pelos Indios, conforme sua rusticidade, não nos importando o modo e sim a demonstração do seo contentamento então e ainda agora diariamente, trazendo-nos seos filhos para instruil-os o que faremos mediante a graça de Deos.

Quando voltar o Sr. de Rasilly, por estes 2 ou 3 mezes, nós vos mandaremos o numero dos convertidos e dos baptisados.