Basta ter-se vivido nas florestas habitadas por macacos para conhecer-se a exactidão do que escreveo o Padre Ivo.
[80] (pag. 180).
Ha aqui com certesa erro, ou então exageração.
O Padre Claudio d’Abbeville, que descreve a mesma ave de rapina (pag. 232) julga ser elle «duas vezes mais corpolento do que a aguia, ter a perna da grossura de um braço, e a pata em fórma de unhada.»
Poderia ser esta descripção do Condor, porem não existe esta ave na America do Sul.
Diz o Coronel Ignacio Accioli ter o gavião real tanta força a ponto de fazer parar em sua carreira um viado por mais forte que seja.
É tão phantastica a descripção do Padre Ivo, que á primeira vista se pode applical-a ao abestruz americano de Nandú, que se encontra somente no Ceará e Piauhy.
Um escriptor contemporaneo, Gabriel Soares, tantas vezes citado, restabelece a verdade fallando do Ura-açu disse «são passaros, como os milhafres de Portugal, sem differença alguma, negros e de azas grandes, de cujas pennas utilisam-se os indios para emplumarem suas flexas, e vivem de rapina.» (Vide Tratado descriptivo do Brasil em 1587. Rio de Janeiro.—1851 1.º vol. in 8.º pag. 232.)
Lembramos de passagem, que debaixo do ponto de vista scientifico a parte ornithologica é muito imperfeita, embora a bellesa do estylo do nosso velho viajante.