Gostei muito de vêr este grande Capitão, velho Coronel de sua nação, enobrecido por tantas cicatrises, entregando-se com praser á este officio, e não podendo conter-me, perguntei-lhe a razão d’isto, esperando aprender alguma coisa de novo n’este facto tão particular, que estava vendo.

Pelo meu interprete lhe perguntei a razão, porque se dava a esse mister.

Respondeo-me, «porque os rapases observam minhas acções e praticam o que eu faço; se eu ficasse deitado na rede e a fumar, elles não quereriam fazer outra coisa: quando me vêm ir para o campo com o machado no hombro e a fouce na mão, ou tecer rede, elles se se envergonham de nada fazer.»

Eu e os que comigo então se achavam, sentiram muito prazer ouvindo estas palavras, e desejaria vel-as praticadas por todos os christãos, porque então a ociosidade, mãe de todos os vicios, não estaria em França, como actualmente se vê.

O officio de carpinteiro não lhes é muito difficil, porque os vi fazendo suas casas, e as dos Francezes, assentando seo machado, e repetindo o golpe no mesmo lugar, quatro ou cinco vezes, com tanta firmeza, como faria qualquer carpinteiro bem habil.

A arte de marcineria lhes é facil, porque com suas fouces aplainam um pedaço de pau, tão liso e tão igual, como se tivesse passado o raspador por cima d’elle.

Com o auxilio de suas facas somente, fazem macaquinhos e outras figuras de madeira.

Não precisam de serra, e nem de outro qualquer instrumento para fazer seos arcos, remos e espada de guerra, pois basta-lhes uma simples machadinha.

Cavam, arranjam suas canôas, e dão-lhes a forma, que lhes apraz.