Esperam os nossos paes a retribuição e dever, que principiamos a pagar-lhes desde a primeira idade, si não estão cegos pelo amor que nos tem; o mesmo devem esperar nas outras idades, sendo mais reconhecidos os nossos deveres para com elles, custe o que custar-nos.

Começa a segunda idade, quando o menino anima-se a andar sosinho, e apezar de haver alguma confusão da-se-lhe o mesmo nome.

Observei differença na maneira de criar os meninos, que não sabem andar, e os que se esforçam para o fazer, o que nos leva a formar outra classe, e dar-lhe nome proprio: chama-se Kunumy-miry, «rapazinho»[38] e abrange até 7 a 8 annos.

Durante este tempo não se separam de suas mães, e nem acompanham seos Paes, e o que é mais, deixam-nos mamar até que por si mesmo aborreçam o peito, habituando-se pouco a pouco ás comidas grosseiras como os grandes e adultos.

Dão lhes pequenos arcos e flexas proporcionaes ás suas forças, reunindo-se uns aos outros plantam e juntam algumas cabaças, nas quaes fazem alvo para o tiro das suas flechas adextrando assim bem cêdo seos braços.

Não açoitam, e nem castigam seos filhos, que obedecem a seos paes e respeitam os mais velhos.

È muito agradavel esta idade dos meninos, e n’ella podereis descobrir a differença existente entre nós pela naturesa e pela graça: sem fazer comparação, acho-os mimosos, doceis e affaveis como os meninos francezes, não esquecendo antes tornando bem saliente a graça do Espirito Santo concedida pelo baptismo aos filhos dos Christãos.

Si acontece morrerem os meninos n’esta idade, tem os paes pesar profundo, e sempre se recordam d’elles, especialmente nas cerimonias de lagrimas e lamentações, recordações que fazem uns aos outros, lastimando esta perda e a morte dos seos filhinhos, dando-lhes o nome de Ykunumirmee-seon «o menino morto na infancia.»

Vi mães, quase loucas, no meio de suas roças, ou nas matas sosinhas, em pé ou agachadas, chorando amargamente, e quando lhes perguntava para que faziam isto, respondiam-me «Oh! recordo-me da morte de meos filhinhos, Ché Kunumirmee-seon, ainda na infancia» e depois continuavam a chorar e muito.

È na verdade mui natural o ter pesar da perda e morte d’estes meninos, que ja haviam custado tantos trabalhos á seos paes, e que estavam na edade de dar-lhes alguma alegria.