§ 22. No contemplar a [Tab. VI]. observei, que da reciproca mixtura das sinco Cores, de que se compoem, resultava do n.º 1. 2. 4., huma Cor mixta, onde reynava o Vermelho; do n.º 5. 6. 8. 10. resultavaõ Cores, em que predominava o Verde; do n.º 7. 9. resultavaõ Cores pardas ou çujas; e que finalmente do n.º 3. onde o Vermelho, e Verde se achaõ combinados em differentes proporçoens, resultava a mesma Cor escura, ou a mesma especie de negro, que tinha resultado da mixtura do Vermelho, Azul, Verde, e Amarello [Tab. I]. n. 2.[14].
§ 23. Este phenomeno me fez ver, que as quatro Cores [Tab. I]. n.º 2., e as duas Tab. VI. n.º 3, e ainda as das [Tab. VIII]. [X]. [XII], no mesmo numero, importavaõ a mesma cousa; isto he, que o Vermelho, e Verde combinados em certas proporçoens, valem tanto como o Vermelho, o Azul, o Verde, e o Amarello; ou que no Vermelho, e Verde se contem as outras duas Cores. E reflectindo em que nas [Tab. II]. [III]. [IV]. [V]. [VII]. [IX]. [XI], nas quaes em differentes proporçoens, se achaõ combinadas as sinco Cores, se descobrem sempre quatro numeros, em que domina o Vermelho, e saõ, o n.º 1. 2. 3. 4. e outros quatro em que domina o Verde, a saber, o n.º 5. 6. 8. 10. e que o Azul, e Amarello cedem sempre ao Vermelho, e Verde; e quando se combinaõ com o Negro, em diversas proporçoens, ou se confundem inteiramente com elle, ou recebem huma sombra, que as escurece sensivelmente, sem que jamais produzaõ huma terceira Cor: esta reflexaõ, digo, me suscitou outro Principio.
TERCEIRO PRINCIPIO.
§ 24. O Vermelho, e Verde saõ as Cores primitivas, e dominantes na Natureza: e o Azul, e Amarello naõ saõ que puras modificaçoens destas duas.
§ 25. Fiz todas as combinaçoens possiveis do Vermelho, e Verde, e naõ pude achar hum Azul, e Amarello igual ao de que me servia nas experiencias. Interrompias por algum tempo, e fui estudar no grande livro da Natureza[15], onde se podia achar a resoluçaõ destes problemas.
§ 26. Este vastissimo imperio, nos seus differentes reynos, me presentou duas analogias, que adiantáraõ a minha indagaçaõ. Vi que no reyno animal, dominava a Cor vermelha. O sangue dos animaes, e a carne em que elle se acha espalhado, me confirmáraõ em que o Vermelho he huma Cor universal, e primitiva. Vi igualmente que, o Verde coloria todo o reyno vegetal, o que me convenceo tambem, de que o Verde era huma Cor primitiva, e universal.
§ 27. Occorreu-me, que a carne dos animaes quando he contundida, ou passa a maceraçaõ, passa tambem da Cor vermelha á azul. Lembrou-me logo, que a mesma tinta azul das minhas experiencias, que era Azul de Prussia, se fazia de sangue de boi, ou de qualquer outro animal. Poucos dias antes eu tinha reiterado as observaçoens de M. de Buffon, ácerca da sombra da luz do Sol, tincta com a Cor da Aurora, e achei, que a sombra de huma palheta de marfim, de duas pollegadas de largo, sobre hum papel branco, era sempre azul, pondo a palheta, pouco mais ou menos, a hum pé de distancia do papel; e chegando-a quasi ao papel, achei entaõ sempre escura a sua sombra; o que naõ podia resultar senaõ da refracçaõ da luz vermelha do sol, que coloria a sombra de azul. Esta observaçaõ me produsio o Principio seguinte[16].
QUARTO PRINCIPIO.
§ 28. A Cor azul naõ he primitiva, mas sim gerada pelas modificaçoens, que recebe a Cor vermelha pela refracçaõ da luz, ou mixtura de outras substancias.