No fazer as mencionadas experiencias vi, que com pouquissimas Cores, se poderiaõ formar todas as precisas, para imitar a Natureza. Ordenei algumas Taboas, que logo me servíraõ para os meus curiosos intertenimentos, os quaes por este methodo, me ficáraõ muito mais faceis.

Terei a mayor satisfaçaõ de que os verdadeiros Amadores das Sciencias Naturaes achem as minhas hypothesis bem fundadas: e espero que em huma sciencia puramente natural naõ exigiráõ demonstraçoens geometricas, contentando-se da experiencia, e de bem fundadas analogias, que saõ a verdadeira prova desta sorte de Conhecimentos.

Os Dilectantes, e Artistas que começaõ a occupar-se em todo o genero de trabalho colorido, acharaõ o modo de formar, com poucos elementos, huma infinidade de Cores, que jamais seraõ repugnantes, e que sempre se concervaraõ, quanto ao brilhante, na mesma proporçaõ, com que se empregáraõ, sem que humas fiquem permanentes, e as outras sujeitas ás alteraçoens do tempo.

Se deste breve Tratado resultar alguma luz á quella parte da Phisica, que se versa sobre as Cores; e se elle puder contribuir para guiar o trabalho dos Dilectantes, e Artistas que começaõ a occuparse da sua combinaçaõ: eu darei por bem empregados os poucos dias que passei em compollo; e a nimguem pezará de ter sacrificado os poucos momentos, que saõ necessarios para o ler.

ARGUMENTO DA INTRODUCÇAÕ.

Primarias, e secundarias qualidades dos corpos [§§ 1, 2].

Todas as producçoens da Natureza saõ effeitos da mera combinaçaõ de principios mais simplez [§ 3].

A verdadeira natureza dos corpos, isto he dos seus primitivos principios, he absolutamente desconhecida [§ 4].

Igualmente he desconhecida a natureza das suas secundarias qualidades [§ 5].

Opiniaõ de Aristoteles sobre as Cores [§ 7].