Mil arvores estaõ ao Ceo subindo
Com pomos odoriferos, e bellos,
A larangeira tem no fruto lindo
A Cor, que tinha Daphne nos cabellos:
Encostase no chaõ, que estâ cahindo
A cidreira cos pesos amarellos,
Os fermosos limoẽs, alli cheirando,
Estaõ virgineas tetas imitando.

LVII.

As arvores agrestes, que os outeiros
Tem com frondente coma ennobrecidos,
Alamos saõ de Alcides, e os loureiros
Do louro Deos amados, e queridos:
Mirtos de Cytherêa cos pinheiros
De Cybele, por outro amor vencidos,
Está apontando o agudo cypariso
Para onde he posto o eterno Paraiso.

LVIII.

Os doens, que dá Pomòna, alli Natura
Produze differentes nos sabores,
Sem ter necessidade de cultura,
Que sem ella se daõ muito melhores:
As cerejas purpureas na pintura,
As amoras, que o nome tem de amores,
O pomo, que da patria Persia veyo,
Melhor tornando no terreno alheyo.

LIX.

Abre a Romãa, mostrando a rubicunda
Cor, com que tu Ruby teu preço perdes,
Entre os braços do ulmeiro estâ a jucunda
Vide cũs cachos roxos, e outros verdes:
E vós se na vossa arvore fecunda,
Peras piramidais, viver quiserdes,
Entregaivos ao dano, que cos bicos
Em vós fazem os passaros iniquos.

LX.

Pois a tapessaria bella e fina,
Com que se cobre o rustico terreno,
Faz ser a de Achemenia menos dina,
Mas o sombrio valle mais ameno:
Alli a cabeça a flor Cefisia inclina,
Sobolo tanque lucido, e sereno,
Florece o filho, e neto de Cyniras,
Porquem tu Deosa Pafia, inda suspiras.

LXI.