Ella quis passear, mas o movimento do navio era muito violento; era necessario encostar-se ao braço de Captain Rytmel. Eu difficilmente me equilibrava. A pancada da onda contra o costado tinha um som lugubre. A sineta de bordo tocava com uma voz desconsolada as horas e os quartos. Tinham-se accendido mais pharoes no alto dos mastros. O ruido do vento de temeroso, parecia uma passagem violenta de almas condemnadas.
Desci á camara para beber cognac, porque o frio era agudo. Carmen, sentada no sophá, no alto da sala, estava ali immovel, com os olhos vagos, as mãos crusadas.
—Morremos, hein? perguntou ella.
—Tem medo? disse eu.
—Um pouco, de morrer affogada. D'uma bala ou d'uma facada, não me custava. Mas aqui, estupidamente, n'este antipathico elemento, é cruel! Ao menos não morro só! Lá se vae a sua linda prima!…
—Porque odeia a pobre condessa? disse-lhe eu, sorrindo.
—Eu! de modo algum. Acho-a piegas, detesto aquelles ares sentimentaes, deshonra a Peninsula. Ahi está.
—Não é isso: é porque suppõe que Captain Rytmel se interessa de mais por ella.
—E que me importa a mim esse cavalheiro?
E deu uma curta risada.