Houve um silencio. Os olhos da condessa estavam humidos. Correu para mim, tomou-me uma das mãos, murmurou entre soluços:
—Que quer? Ninguem tem culpa. Amo este homem, fujo com elle.
Rytmel tomara-me a outra mão.
—Agora, dizia, é impossivel voltar. É um passo dado, irreparavel…
Eu estava succumbido: aquella situação imprevista, deixava-me sem raciocinio, sem voz, sem vontade.
Eu, amigo do conde!… Eu, cumplice d'aquella fuga! Além d'isso, alli, no meio d'aquelles dois amantes encantadores, que me supplicavam apertando-me as mãos, eu sentia-me ridiculo—e isto augmentava o meu desespero. A condessa, no entanto, continuava:
—Primo, disse ella, que importa? Estou deshonrada, bem sei. Mas que queria? que eu ficasse ao lado de meu marido, amando este, n'uma mentira perpetua, vivendo alegremente instalada na infamia? Essa situação nunca! É suja! Ao menos isto é franco. Rompo com o mundo, sou uma aventureira, fico sendo uma mulher perdida, mas conservo-me para um só e sendo pura para elle.
—Captain Rytmel, disse eu, então mande deitar uma lancha ao mar.
—Que quer fazer? gritou a condessa.
—Eu? ganhar a terra. Acha que tambem não é uma infamia installar-me n'este navio?