Ella voltou para Rytmel um longo olhar triste, e a sua voz proseguiu, vibrando mais saudosa no silencio:
N'alta esplanada normanda
Batida da fria onda
Reune os seus irmãos d'armas
A uma tavola-redonda…
Parou com as mãos esquecidas sobre o teclado:
—Foi talvez como n'uma noite d'estas, disse ella. Estamos em plena legenda. O terraço batido da agua, a lua, os velhos amigos reunidos, a lembrança da pobre amante, que se apaga na memoria d'elle, o presentimento da morte… Que linda noite para o rei atirar a sua taça ao mar!
E cantou os derradeiros versos da ballada:
Foi-se com tremulos passos
Na amurada debruçar…
E com as suas mãos antigas
Atirou a taça ao mar!
Junto ao seu corpo real
Estão os pagens a velar
E a taça vae viajando
Por sobre as aguas do mar…
De repente Rytmel deu um pequeno grito: descuido, movimento, ou irreprimivel impulso d'um coração que se revela, Rytmel deixara cahir a pequena chavena ao tanque, entre as folhas dos nenufares.
A condessa ergueu-se, extremamente pallida, apertando com ambas as mãos o coração: e com os olhos marejados de lagrimas, disse para Rytmel:
—O rei de Thule ao menos esperou que ella morresse!