—Vá, vá, disse eu, breve! responda… Que quer? Que veio fazer aqui?

Elle não respondia, e com a cabeça tomada entre as mãos, repetia machinalmente:

—Está perdido tudo! Está tudo perdido!

—Falle, disse-lhe o mascarado, tomando-lhe rudemente o braço, que veiu fazer aqui? Que é isto? como soube?…

A sua agitação era extrema: luziam-lhe os olhos entre o setim negro da mascara.

—Que veiu fazer aqui? repetiu agarrando-o pelos hombros e sacudindo-o como um vime.

—Escute… disse o homem convulsivamente. Vinha saber… disseram-me… Não sei. Parece que já cá estava a policia… queria… saber a verdade, indagar quem o tinha assassinado… vinha tomar informações…

—Sabe tudo! disse o mascarado, aterrado, deixando pender os braços.

Eu estava surprehendido; aquelle homem conhecia o crime, sabia que havia ali um cadaver! Só elle o sabia, porque deviam ser de certo absolutamente ignorados aquelles successos lugubres. Por consequencia quem sabia onde estava o cadaver, quem tinha uma chave da casa, quem vinha alta noite ao logar do assassinato, quem tinha desmaiado vendo-se surprehendido, estava positivamente envolvido no crime…

—Quem lhe deu a chave? perguntou o mascarado.