—Muitos homens o usam!
—Mas não o cobrem como este foi coberto, com um sachet em que havia o mesmo aroma que se respira no ambiente d'esta casa. Este papel pertence a uma mulher, que examinou a falsificação que elle encerra, que assistiu a ella, que se interessava na perfeição com que a fabricassem, que tinha os dedos humidos, deixando no papel um vestigio tão claro…
O mascarado calava-se.
—E um ramo de flôres murchas, que está ali dentro? um ramo que examinei e que é formado por algumas rosas, presas com uma fita de veludo? A fita está impregnada do perfume da pomada, e descobre-se-lhe um pequeno vinco, como o de uma unhada profunda, terminando em cada extremidade por um buraquinho… É o vestigio flagrante que deixou no veludo um gancho de segurar o cabello!
—Esse ramo podiam ter-lh'o dado, podia tel-o trazido elle mesmo de fóra.
—E este lenço que encontrei hontem debaixo de uma cadeira?
E atirei o lenço para cima da mesa. O mascarado pegou n'elle avidamente, examinou-o e guardou-o.
M. C. olhava pasmado para mim, e parecia aniquillado pela dura logica das minhas palavras. O mascarado ficou por alguns momentos silencioso; depois com voz humilde, quasi supplicante:
—Doutor, doutor, por amor de Deus! esses indicios não provam. Este lenço, de mulher indubitavelmente, estou convencido que é o mesmo que o morto trazia no bolso. É verdade: não se lembra que não lhe encontrámos lenço?
—E não se lembra tambem que não lhe encontrámos gravata?