—Viu aquelle movimento de sua mulher?
—Vi.
—É inconveniente: e o cavalheiro responde de certo pelas phantasias ou pelos habitos d'aquella senhora…
—Eu! gritou o hispanhol, eu não respondo por coisa alguma. O senhor que quer? É um monstro essa mulher! Livre-me d'ella, se póde! Olhe: quel-a o senhor? Guarde-a. Está sempre a fazer d'estas scenas! E não lhe posso fazer uma observação! É uma furia, usa punhal!
—Esta mulher, fui eu dizer á condessa, é uma creatura sem consideração e parece que sem dignidade. Não a olhe, não a escute, não a perceba, não a presinta. Se houver outra inconveniencia eu dirijo-me ao commandante, como se ella fosse um grumete insolente. É pena… é terrivelmente linda!
A hispanhola no entanto, junto da amurada, fallava violentamente ao capitão Rytmel que a escutava frio, impassivel, com os olhos no chão.
O conde subiu n'este momento. Outras senhoras vieram, os grupos formavam-se, começavam as leituras, as obras de costura, o jogo do boi…
Eu approximei-me de D. Nicazio e disse-lhe sem lhe dar mais importancia:
—Então esta sua senhora dá-lhe desgostos?
—É sempre aquillo com o capitão. Foi desde a tal caçada ao tigre… Quer que lhe conte?…