—Que foi? que foi? perguntei a alguem.
—Não se sabe, quebrou-se a machina. Mas temos sobre nós um terrivel vendaval…
—Estamos perdidos!
—O navio é seguro, respondeu o outro.
Ao lado diziam:
—O capitão devia deitar as lanchas ao mar.
O ceu estava limpo: luziam estrellas. O vento assobiava mais forte. O navio tinha aquella oscillação lugubre de bombordo a estibordo, que têem os grandes peixes mortos quando boiam ao cimo d'agua. Olhei os astros, o ceu impassivel, a agua negra,—e senti um immenso despreso pela vida.
Em roda de mim a cada instante ouvia-se versões contradictorias. Uns diziam que ficariamos á capa, esperando firmemente o mau tempo; outros que o navio estava perdido… Um official disse ao passar:
—Oh, senhores! isto não vale nada: concerta-se; já me aconteceu duas vezes d'Aden a Bombaim.
Não havia a menor confusão ; tudo continuava tão sereno e regular, como se caminhassemos n'um largo rio, á clara luz do sol. O commandante, emfim, appareceu: