No emtanto em torno tumultuavam as curiosidades amigas: «E a saudinha?»
«Então, Jerusalem?» «Que tal, as comidas?…»
Mas a titi bateu com o leque no joelho, n'um receio que tão familiar alvoroço importunasse S. Theodorico. E o Negrão acudiu, com um zelo mellifluo:
—Methodo, meus senhores, methodo!… Assim todos á uma não se goza… É melhor deixarmos fallar o nosso interessante Theodorico!…
Detestei aquelle nosso, odiei aquelle padre. Porque corria tanto mel no seu fallar? Porque se privilegiava elle no sofá, roçando a sordida joelheira da calça pelos castos setins da titi?
Mas o dr. Margaride, abrindo a caixa de rapé, concordou que o methodo seria mais proficuo…
—Aqui nos sentamos todos, fazemos roda, e o nosso Theodorico conta por ordem todas as maravilhas que viu!
O esgalgado Negrão, com uma escandalosa privança, correu dentro a colhêr um copo d'agua e assacar para me lubrificar as vias. Estendi o lenço sobre o joelho. Tossi—e comecei a esboçar a soberba jornada. Disse o luxo do Malaga; Gibraltar e o seu môrro encarapuçado de nuvens; a abundancia das «mesas redondas» com puddings e aguas-gazosas…
—Tudo á grande, á franceza! suspirou padre Pinheiro, com um brilho de gula no olho amortecido. Mas naturalmente, tudo muito indigesto…
—Eu lhe digo, padre Pinheiro… Sim, tudo á grande, tudo á franceza: mas coisas saudaveis, que não esquentavam os intestinos… Bello rosbeef, bello carneiro…
—Que não valiam decerto o seu franguinho de cabidella, excellentissima senhora! atalhou unctuosamente o Negrão, junto do hombro agudo da titi.