E, certamente, pela colina suave, outras Ninfas desciam, ligeiras, com os véus a ondular, trazendo nos braços alfaias lustrosas, que ao sol rutilavam! O magnânimo Ulisses estendeu as mãos, os olhos devoradores... E emquanto elas passavam sôbre a tábua rangente, o Herói astuto contava, avaliava no seu nobre espírito os escabelos de marfim, os rolos de telas bordadas, os cântaros de bronze lavrado, os escudos cravejados de pedras...

Tam rico e belo era o vaso de oiro que a derradeira Ninfa sustentava no ombro, que{333} Ulisses deteve a Ninfa, arrebatou o vaso, o sopesou, o mirou, e gritou, com soberbo riso estridente:

—Na verdade, êste oiro é bom!

Depois de arrumadas e ligadas sob o largo banco as alfaias preciosas, o impaciente Herói, arrebatando o machado, cortou a corda que prendia a jangada ao tronco dum roble, e saltou para o alto bordo que a espuma envolvia. Mas então recordou que nem beijara a generosa e ilustre Calipso! Rápido, arremessando o manto, pulou através da espuma, correu pela areia, e pousou um beijo sereno na fronte aureolada da Deusa. Ela segurou de leve o seu ombro robusto:

—Quantos males te esperam, oh desgraçado! Antes ficasses, para toda a imortalidade, na minha Ilha perfeita, entre os meus braços perfeitos...

Ulisses recuou, com um brado magnífico:

—Oh Deusa, o irreparável e supremo mal está na tua perfeição!

E, através da vaga, fugiu, trepou sôfregamente à jangada, soltou a vela, fendeu o mar, partiu para os trabalhos, para as tormentas, para as misérias—para a delícia das coisas imperfeitas!{334} {335}

[O SUAVE MILAGRE!]

Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galilea e das doces, luminosas margens do Lago de Tiberíade:—mas a nova dos seus Milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issachar.