—Vou-me.{35}
—Sente-se ali!
E o tio Francisco continuou, com grandes passadas pelo quarto:
—O seu amigo é um canalha! Loja de ferragens! Não está má! O senhor é um homem de bem. Estúpido, mas homem de bem. Sente-se ali! Sente-se! O seu amigo é um canalha! O senhor é um homem de bem! Foi a Cabo-Verde! Bem sei! Pagou tudo. Está claro! Tambêm sei! Àmanhã faz o favor de ir para a sua carteira, lá para baixo. Mandei pôr palhinha nova na cadeira. Faz favor de pôr na factura Macário & Sobrinho. E case. Case, e que lhe preste! Levante dinheiro. O senhor precisa de roupa branca e de mobília. Levante dinheiro. E meta na minha conta. A sua cama lá está feita.
Macário, estonteado, radioso, com as lágrimas nos olhos, queria abraçá-lo.
—Bem, bem. Adeus!
Macário ia sair.
—¿Oh! burro, pois quer-se ir desta sua casa?
E, indo a um pequeno armário, trouxe geleia, um covilhete de doce, uma garrafa antiga do Pôrto e biscoitos.
—Côma!