N'este comenos, Roma, passava o tempo a ruminar a colera do seu despeito; o Senado, convocava os membros muitas vezes ao dia; e a noite, não era sufficiente para discutir planos e levantar castellos!
O refugiado de Hadrumeto,[[4]] ainda tentou sacudir de sobre os hombros os andrajos de vencido. Mas foi só um desabafo de soldado que não passou d'isto:--reunir exercitos!
Porque Roma, muito ciosa dos seus pretendidos direitos, de supremacia universal, mandou immediatamente o velho Censor M. Porcio Catão, ao serviço do Senado, na qualidade de embaixador secreto, espionar a sua alliada de ha dois dias.{17}
Ao entrar em Carthago, o matreiro espia, quando viu que a desventurada cidade resurgia das ruinas da sua desgraça e tomava pulso para um derradeiro esforço, não foi menor o espanto que o desespero do velho Censor! Da sua alma soberba, vibrante de patriotismo e de vingança, sahiu espontaneamente este grito:--Delenda est Carthago!
E todas as vezes que fallava no Senado, terminava sempre os seus discursos, com as lagrimas nos olhos, gritando:--Delenda est Carthago! Carthago deve ser arrasada!
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Jovens catholicos, eu, moço embaixador do meu patriotismo, faço as vezes do romano Catão e venho gritar com todo o ardor da minha alma e{18} inteira energia dos meus pulmões:--Delenda est Carthago!
Deve ser destruida Carthago! Não a Carthago inimiga de Roma, mas a Carthago inimiga da nacionalidade portugueza; a Carthago que lhe vem sugando as entranhas; a Carthago que arruina a nossa independencia e desequilibra a nossa autonomia.
Delenda est Carthago!--Carthago deve ser arrasada!
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