[CHORÃO.]

N'outros tempos era o chorão uma magestosa arvore levantando nos ares a bella e finissima ramagem. Orgulhoso do seu extraordinario crescimento protestou que havia de chegar ao céo e Deus, em castigo da ousadia, condemnou-o a não poder erguer para o céo os ramos, pois quanto mais crescessem mais haviam de virar para o sólo.

[LARANGEIRA.]

É assaz conhecido o emprego nupcial das flores de laranjeira, como emblema da castidade, da puresa absoluta e completa.

Este vegetal é celebrado desde tempos immemoriaes, não só pelo aroma sem rival das suas formosas flores, mas tambem pelos seus bellos e deliciosos fructos.

Gubernatis escreve o seguinte relativamente á laranjeira:

«Nos contos populares piemonteses, o reino por excellencia, o reino rico, maravilhoso, é o reino de Portugal; e no Piemonte chamam sempre portogallotti ás laranjas. Portugal é a região mais occidental da Europa; no ceu, é tambem no extremo occidente, onde o sol se esconde, que acreditam estar situado o reino dos bemaventurados, o paraizo. Foi tambem no extremo occidente que Héraclés descobriu o jardim das Hespérides com a arvore de fructos d'oiro. Por isso assim como o Portugal, a região occidental, o paraizo e o jardim das Hespérides são no mytho, um mesmo e unico paix, assim tambem a laranja, o portogallotto e a maçã das Hespérides, são na linguagem mythica um unico e mesmo fructo. Os gregos como os piemonteses, chamam ás laranjas πορτογαλιά os albaneses protokale e os proprios kurdos portoghal.

Como explicar tal denominação? Será porque as laranjas são melhores e mais abundantes em Portugal do que em qualquer outra parte? Não, mas é porque foi de Portugal que a cultura da laranjeira se propagou na Europa.

O jesuita Le Comte, que viveu muitos annos na China, na segunda edição das suas Nouveaux mémoires sur l'état présent de la Chine (Paris, 1697, tom. I, pag. 173), dá-nos a seguinte e curiosa informação: «Chamam-lhe em França laranjas da China, porque as que vimos pela primeira vez tinham sido trazidas d'alli. A primeira e unica laranjeira da qual dizem provieram todas, existe ainda em Lisboa na casa do conde de S. Lourenço; é aos portuguezes que devemos um fructo tão excellente».

A longa e angustiosa peregrinação da Virgem para fugir com o divino filho aos que o queriam assassinar deu origem a grande numero de lendas, muitas das quaes se referem aos vegetaes, pertencendo a esse numero a que apresentamos relativa á laranjeira.

A sagrada familia veio descançar uma tarde á sombra de uma laranjeira guardada por um cego. A Virgem pediu ao cego uma laranja para dar ao filho e aquelle respondeu-lhe que colhesse quantas quizesse pois todas eram d'ella. Então a Virgem colheu tres, uma para o Christo, outra para si e a terceira para S. José. E em paga da caridade do cego restituiu-lhe a vista.

[CARDO.]