«A antiguidade indiana via no céo, na alva e na aurora, uma teia luminosa; a esposa divina, a aurora, tecia a camisa nupcial, o vestido do esposo divino, o sol. Os deuses vestiam-se com uma veste luminosa, d'um tecido branco ou vermelho, de prata ou de oiro. Os padres, na terra, adoptaram o mesmo costume branco na India, no Egypto, na Asia Menor, em Roma e nos paizes christãos, chamando-se ainda hoje alva á camisa branca dos padres e dos meninos de côro.
O linho era de tal fórma estimado no norte que, até ao seculo XII, na ilha de Rugen, servia de moeda.
«Apud Ranos, escrevia Helmold, I, 38, 7, citado por Hehn (Kulturpflanzen u. Hausthiere, Berlin, 1874) non habetur maneta, nec est in comparandis rebus consuetudo nummorum, sed quidquid in foro mercari volueris, panno lineo comparabis».
Güldenstadt, no seculo passado, deparou ainda com uso identico no Caucaso. Nos contos populares falla-se muitas vezes de camisas ou vestidos tecidos com fios tão extraordinariamente finos, que podiam ser guardadas dentro da casca de uma noz. Hérodoto e Plinio mencionam um linho enviado da Grecia por o rei Amasis, cujo fio era composto de 360 ou 365 fios, allusão evidente aos dias do anno.
Na canção popular veneziana do grillo e da formiga, o grillo fia linho e a formiga pede-lhe um fio evidentemente para continuar a fiar, pois os dois animaes figuram na mitologia zoologica em estações differentes. Os fios de linho são tidos como representando os raios do sol, e segundo uma superstição popular siciliana, attrahem-os tambem.
Em Modica, na Sicilia, escreve o snr. Amabile, para fazer desapparecer as dôres de cabeça produzidas pela insolação, queimam, com acompanhamento de imprecações, estopa de linho n'um copo onde depois se deita agua; colocam em seguida o vidro n'um prato branco e este sobre a cabeça do doente; pretendem que, d'este modo, fazem desapparecer da cabeça e passar para o linho toda a doença causada pelo sol.
No Valle Soana, no Piemonte, acreditam que vêr em sonhos, linho mergulhado na agua é um aviso de morte por todo o anno.
O linho é simbolo da vida, da vegetação facil e abundante. É por isso que na Allemanha, quando uma creança cresce vagarosamente ou lhe custa a andar, na vespera do dia de S. João, a colocam núa no sólo, semeando-lhe linho em redor, e logo que o linho principiar a rebentar deve a creança começar a crescer e a andar».
[PLATANO.]
O platano era particularmente venerado na Grecia, sendo consagrado ao genio. Era sob os platanos que se reuniam os sabios gregos para discutirem os mais transcendentes assumptos, e sob elles que especialmente se abrigavam da chuva.
A formosa Europa, dormia sob um platano quando foi roubada por Jupiter metamorphoseado em touro.
Xerxes atravessando a Lydia, apaixonou-se tanto por um corpulento platano que o fez ornamentar de custosos collares e braceletes d'ouro.
Na Grecia quando alguns noivos se separam trocam, em signal de fidelidade, duas metades de uma mesma folha de platano, e quando se tornam a encontrar apresentam-as, devendo as duas partes formar perfeitamente a primitiva folha. Se isto se não dér é porque aquelle cuja metade estiver defeituosa foi infiel durante a ausencia.
[TREVO.]
Diz Gubernatis que os druídas tinham o trevo em grande veneração, e que S. Patricio para explicar o misterio da Trindade aos irlandezes se servia de trevo, mostrando-lhes as tres folhas do vegetal n'uma mesma haste.
Em França, Italia, Hespanha, e mesmo entre nós, o povo estima e venera particularmente o trevo de quatro folhas e crê que a pessoa que encontrar uma d'estas plantas, sendo mulher, casará dentro de um anno e, sendo homem, terá no mesmo espaço de tempo grandes felicidades.
Aproveitamos do distincto sabio inglez, Brueyre a seguinte e deliciosa lenda metereologica relativa ao trevo: