—Porém ainda não sabe o melhor—acrescentou outra.
—O que é?—perguntaram as outras com interesse de o saberem.
—É que, se não comungam, não querem, em compensação, que os seus mortos morram á fome.
Uma ruidosa gargalhada soou no corredor.
—Porém, se estão mortos—disse uma,—como hão de morrer de fome?
—Pois ouça—disse um tanto irritada a outra;—eles crêem que depois de mortos comem, e por isso põem-lhes no caixão um pouco de presunto, uma garrafa de vinho e dois pães.[1]
—Ah!—exclamou uma—isso não é verdade. Quando o padre protestante veiu ajudar a sr.ª Josefa a bem morrer, eu estava em sua casa, e ouvi-lhe dizer umas coisas muito bonitas... e... por tal modo o disse que nos fez chorar.
—Isso não é motivo para que eles não creiam que os mortos comem; olhe a visinha: no outro dia leu meu marido um livro intitulado O monstro das sete cabeças, que dizia que ha uma nação, lá muito longe, em que se crê que os mortos veem do outro mundo a este chupar o sangue dos vivos; chamam-lhe lam... lam... vampiros.
—Sim, sim, eu não os vi, porém sei que os protestantes metem no caixão do morto o que já disse.