—Nesse caso, espero que vá á missa.

—Não, senhor, eu não posso assistir a um acto que a minha consciencia reprova.

—Então não estranhe que a fome bata á sua porta: será um castigo de Deus, que o avisa por minha boca.

—Não, não é um aviso; diga antes uma tentação de Satanaz, permitida por Deus, para provar a minha fé.

—Julguei que podia valer-lhe em alguma coisa, porém enganei-me. É dificil deter em sua carreira o homem que marcha a passos agigantados para o precipicio. Que a Virgem tenha misericordia de si.

—Folgo imenso com que tenha falado da Virgem, pois que me esquecia de dizer-lhe duas coisas: a primeira é que me faça o favor de não falar a minha mulher ácerca de religião; a segunda é que não lhe torne a dar estampas de santos ou de virgens, pois que, como pode muito bem compreender, não deve meter-se onde não o chamam.

—Se eu dei a sua esposa alguns conselhos, foi porque a encontrei triste e aflita. Eu, na minha qualidade de sacerdote, tenho o dever de consolar os tristes.

—Muito bem: porém aquilo que disse a minha esposa, em vez de servir para a consolar, devia servir para acender em seu peito a duvida, e estabelecer em minha casa uma guerra religiosa; portanto, que não torne a suceder uma tal coisa.

—Quer isso dizer—respondeu o padre Francisco—que me prohibe de falar com sua esposa, não é verdade?