CAPITULO XV
Já começa!...

No dia seguinte ao dos acontecimentos referidos no capitulo anterior, os tranzeuntes da Rua dos Embaixadores, ao passarem por certa casa, poderam ler—Julião, Vidraceiro, Chumbeiro, Chocolateiro—e colocado sobre a porta um papelinho escrito pelo porteiro da casa, em pessima ortografia, com os seguintes dizeres: «Aluga-se esta loja; o porteiro tem as chaves e dirá as condições».

Sim, Julião tinha deixado a loja por não poder pagar o aluguer, e agora vive na agua-furtada n.º 12, da mesma casa.

Como é costume entre amigos mostrar a casa em que vivem, Julião o faz a todos os que se interessam na sua historia.

Depois de se subirem cento e quinze degraus, chega-se a uma galeria, ou, melhor, a um corredor, em que fica a morada de Julião.

Consta de tres compartimentos—sala, cosinha e alcova.

Agora que estamos dentro da casa, ouçamos o que dizem o nosso amigo e sua mulher.

—Crê-me—dizia Julião,—o Senhor tirou-nos a loja, fazendo-nos vir viver para aqui. Por alguma coisa foi que o Senhor fez isto.