—Senhor, dá-me forças e aumenta a minha fé, se queres que faça alguma coisa por Ti. Por amor de Jesus, concede-me o Teu santo Espirito. Amen.
—Posso entrar?—disse uma voz do lado de fóra.
—Entre—respondeu Dôres.
No mesmo momento entrou a mulher que tinha falado com Dôres.
Esta ofereceu-lhe uma cadeira, e ela, depois de tomar assento, disse-lhe:
—Então porque deixou a loja?
—Que quer a visinha—respondeu Dôres.—Caprichos da sorte, ou, melhor, azares da vida.
—A mim disseram-me que foi por vocemecês serem protestantes que os despediram da casa.
—Pois não é verdade: fomos nós que nos despedimos, porque o meu esposo perdeu de repente o dinheiro que tinha, e bem assim a freguezia, por causa das suas idéas religiosas.
—Porém, Dôres, perdôe-me que lhe diga. Eu não entendo uma palavra ácerca das suas crenças religiosas. A mim disseram-me que os protestantes não crêem em Deus, nem na Virgem, nem nos santos. Quando morreu sua mãe, ouvi tudo o que o padre disse, e pareceu-me que no que dizia tinha razão; assisti ao enterro, e fiquei impressionada: mas porque é que todos são contra vocemecês?