—E vamos ficar assim todo o dia? Não temos dinheiro para comer, e nem ainda acendi lume por não ter que cosinhar. O menino mama muito, e eu sinto-me cair de fraqueza. Que vamos fazer?

Julião permaneceu em silencio por alguns momentos, e em seu rosto via-se retratada a luta que atormentava a sua alma.

Nunca a tentação o havia perseguido com mais força. Via sofrer sua esposa, e tudo o levava a perder a sua confiança em Deus. Por fim, depois dum breve espaço de tempo, abanou a cabeça, como se quizesse afastar dela alguma idéa que mais o atormentava, e disse em resposta a sua esposa:

—O que faremos? Esperar.

«Esperar que Deus responda á nossa oração.

Neste momento o padre e outro sacerdote apareceram á porta.

—Bons dias, senhores—disseram eles ao verem o vidraceiro e sua mulher.

—Bons dias—responderam eles, e Julião acrescentou:—Que pretendem?

—Vimos—respondeu o padre Francisco—falar comsigo.