«Povoação de ***
Querido visinho
«Desejo do coração que ao receber esta passe sem novidade em companhia de sua mulher e seu filhinho. Eu gózo saude e alegria, graças a Deus.
«Porém, como teve coragem para sofrer tanto sem...? Vamos, digo-lhe que eu não tenho paciencia, e que o padre Francisco não faria o que fez se eu ahi estivesse.
«Pensando bem, eu devia zangar-me comsigo, porque estar em necessidade e não me pedir nada é coisa que não compreendo, e que não é de amigo. Porque não me escreveu?
«Emfim, agora nada se remedeia do que deixo dito, visto o mal já estar feito.
«Remeto-lhe essa letra para que torne para a sua loja, e continue no seu negocio.
«Não se aflija com a idéa de que tem de me pagar essa quantia; somos amigos e irmãos em Jesus; assim é que, emquanto não tiver dinheiro de sobra, não mo pagará. Falei com o administrador das obras onde estou trabalhando, e pode vir esta assinar a escritura, cujas condições lhe remeto, para tomar a empreitada da obra de pintura; é um bom negocio...»
Daqui em deante a carta falava de coisas relativas ao negocio de ambos, e por fim dizia:
«Não o incomodo mais, senão para dizer-lhe que aqui não trabalhamos aos domingos, e que o trabalhador que solta más palavras eu o despeço.