CAPITULO XXI
A conferencia

Ás tres e meia horas da tarde, o padre Francisco e o seu hospede estavam sentados á meza. Quando já tinham comido algumas colheres de sopa, o padre Francisco, numa voz meliflua, disse ao joven:

—Amigo Mateus, desejei vivamente falar comsigo, movido da melhor boa vontade, e peço-lhe que ponha de parte as nossas diferenças religiosas, para que conversemos como se fossemos alheios ás questões que vamos tratar.

O joven manifestou com a cabeça um sinal de assentimento, e o padre Francisco, continuando o seu discurso, disse:

—Sempre me chamou a atenção a propaganda tão tenaz que os protestantes fazem em Hespanha, sem embargo de que pouco podem adeantar. Vocês espalham livros, pagam a missionarios, pagam o aluguer das casas onde prégam, as quaes, apezar de estarem sempre vasias, custam bom dinheiro... Quem paga para tudo isto e qual o fim que teem em vista?

—Eu, por minha vez, devia perguntar-lhe: Quem enche as chamadas arcas de S. Pedro? Donde saem essas somas que vão engrossar os tesouros do pontifice italiano?