—Sim.

—Pois então não és católico apostolico romano, porque não crês no Papa.

—Lembra-te de que ele é infalivel.

—Sim, e exactamente agora, porque é infalivel, perdeu ele o poder temporal, e contra ele se levantam os proprios catolicos. Ha pouco li num jornal, de que sou assinante, que o padre Jacinto, esse padre ou frade francez que tanto tem dado que falar, vae casar-se, e o mesmo vae fazer um sabio alemão que se chama... não me posso recordar agora do seu nome; o certo é que eles dizem que os padres devem ser casados.

—Isso é que é uma grande verdade—disse outra pessoa presente,—os padres devem ser casados; assim não se presenciariam certos escandalos...

—Mas é que o Papa—disse outro—é muito provavel que saia de Roma, apezar de toda a sua infa...li...bi...lidade.

—Em vista de tanta trapalhada que ha na egreja e tanta palhaçada—exclamou o sr. João—eu não sou nada; o que me ensinaram meus paes isso ensino eu a minha filha; porém eu... creio que ha um Ser supremo, mas que não intervem em coisa alguma deste mundo; faço o bem que posso, respeito os santos, e não me meto com ninguem; e com isto tenho a certeza de ganhar o céu, se é que o ha.

—Isso sim—exclamaram alguns—isso é que é ser cristão.

Assim continuou a conversação, expondo cada qual as suas idéas religiosas.

Segundo eles, fazer o bem que se pode fazer, crer num Ser que é antes um não ser, visto que em nada intervem, e respeitar os santos, eis o que é preciso para uma pessoa ser cristã e salvar-se.